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Archive for the ‘escrivaninha – crônicas’ Category

crônica

hoje é dia!

O Borogodó das Gordinhas
Fui buscar uma paleta de homens variados para dar mais consistência à minha pseudo teoria, “entrevistando” 14 rapazes de diferentes faixas etárias e estados civis. A pergunta bedelhuda e sem rodeios “você namorou/casou ou namoraria/casaria com uma mulher gordinha?”, rendeu 14 vezes sim, sem pestanejar. Nenhum dos “entrevistados” deixou de participar, parou pra pensar ou mesmo vacilou antes de responder. E todos, sem exceção, já namoraram ou casaram com mulheres gordinhas. Leia mais

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[Do lat. exspectatu, esperado, + -iva.] S.f. Esperança fundada em supostos direitos, probabilidades ou promessas.)

Então, parece que a expectativa é o que nos faz levantar todas as manhãs, que nos impede de fraquejar, que nos anima na hora de dormir, porque afinal, amanhã é sempre um novo dia. Expectativa é tão bom quanto bala de menta, vai abrindo espaço no paladar mas a sensação é de que está abrindo a respiração que vem lá do fundo do peito. Expectativa é assim, gelada. Às vezes naquele frio na boca do estômago, outras, em um suor frio e juvenil. Quem não tem expectativa acha que a vida não lhe deve coisa alguma. Quem a tem, sabe que se está vivo, aqui e agora, algum significado há de ter e, por favor, que seja de felicidade.

A expectativa é aquilo que você acha que vai acontecer enquanto finge que lê a revista na sala de espera. Ela é irmã da esperança e amiga íntima dos nossos mais escondidos desejos. Ela é responsável pela continuidade daquela caminhada, pela possibilidade de ouvir um sim, pela idéia de que tudo vai mudar através daquela palavra que você acha que vai ouvir e daquele desfecho que você pensa que pode acontecer. Não porque você foi a escolhida para receber sinais, ou porque um anjo sussurrou no seu ouvido, mas porque a gente só espera verdadeiramente por aquilo que quer, nem sempre por aquilo que é.

Mas então, um dia, como uma puxada de tapete, como a queda de um véu – nem sempre com pesar, é verdade, às vezes até com um certo alívio -, você acorda e percebe que precisa de mais. Precisa colocar ponto e vírgula no lugar das entrelinhas, frases inteiras onde só havia palavras soltas, letras grandes no lugar das miúdas, números exatos ao invés de meras estatísticas. Você precisa de clareza.

Você percebe então, que a expectativa sem perspectiva é nada.
Não que o sonho esteja morto ou que o desejo esteja adormecido, nada disso. Mas você precisa de uma espécie de planilha, de esboço, de croqui – como aqueles projetos tão bem desenhados pelos arquitetos – a mostrar que o desejo tem dimensão e o sonho é largo. É concreto mesmo que seja de madeira – a sustentação de um sonho ou de um desejo não está no material mas na maneira como é construído. E é imprescindível que tenha paredes, sim. Porque um dia a gente precisa saber que a perspectiva, diferente da expectativa, tem um jeito de começar. E há de ter um limite prá não se sofrer de imensidão.

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Uma Vez Mais

Então, os dois deram-se os braços como há muito tempo não ousavam dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

[Chico Buarque]

Olhar como se nunca tivesse visto, nunca tivesse tocado, sequer tivesse ouvido o som daquela voz. Observar o jeito de longe, como se fossem estranhos, como se nunca tivessem chegado tão perto. Olhar de perto com a curiosidade de quem se aproxima por acaso, antes mesmo de saber quem é. Deixar que ela diga olá, tudo bem?, que conte seu nome, que faça charme pra dizer à que veio, que nem diga água e peça logo um café, antes mesmo de engatar qualquer assunto.

Descobrir coisas simples, ditas sem importância, mas com aquela urgência dos começos, como a cor e a comida favoritas, o signo, a receita de miojo, o chá milagroso pra gripe, a melhor marca de sorvete, com ou sem pickles o seu sanduíche? O melhor sabor, qual é? Sugerir desejos antigos como se nunca ouvira falar deles, escutar do cotidiano como se a rotina nunca os tivesse visitado. Em que rua costumam passar, que horários, quando esticam o dia entrando pela noite. Em que lua?

Falar daquele livro como se não tivessem trocado idéias entre mantas de inverno e chocolate quente. Marcar capítulos, sugerir autores, leituras similares, estilos diferentes. Brincar de sinônimos, recitar dicionários, falar na língua do pê. Entender-se com o olhar. Buscar histórias de criança, como era bom ter quintais, calçada convidando bola, banhos de cachoeira, álbuns de figurinhas. Como foi cruel adolescer colecionando espinhas, calças rasgadas, ouvidos abafando atritos com rock and roll e seus milhões de decibéis. Qual a gíria?

Contar dos afetos, das paixões vividas, das madrugadas doídas, das risadas mais francas. Reescrever a própria história em cartas e bilhetes. Palavras novas em expressões batidas. Mandar poemas. Recitar Bandeira, Manuel de Barros. Comprar os Pessoas. Sebos, Baudelaire sem tradução. Olhos novos para palavras conhecidas. Sussurrar Adélia Prado. Rabiscar guardanapos. Reciclar papéis. Marcar encontros em cartões de flores. Quais flores?

Escutar um cd novo pra comemorar um velho encontro. Velhas músicas pra ouvidos renovados, novos acordes pra velhos arranjos. Assumir o gosto por qualquer brega, confessar vocais inusitados, bandas trash, letras bizarras. Dar-se os braços e entre abraços, dançar a Valsinha do Chico. Notas diferentes para os mesmos amantes. Outros, agora. Sem dó.

Assistir aquele filme como se já não tivessem visto juntos. Perguntar que pipoca ele quer, que jujuba ela mais gosta, se as escolhe pela cor, mesmo que agora nem um nem outro se importe porque são os dois ali, que contam, personagens renascidos ensaiando os melhores ângulos, sem direção ou roteiro. Substituir o The End por Once and Again e legendar a última cena:

Receita de felicidade: Uma paixão, uma vez por ano, 6 vezes ao dia. Pode ser com o homem de sempre, mas verifique a data de validade no verso da alma. [escrito em algum dia de sol de 2002]

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Chego acompanhada da sensação de atraso que tentei deixar ali no hall de entrada. Não é exatamente uma sensação desconfortável mas, de todo modo, sempre fico com a impressão que perdi o melhor da festa, embora minha taça de champagne esteja gelada e borbulhante. Champagne, não mais coca-cola. Em algum momento nesses dez anos, depois de escrever aqui, no Crônica do Dia, categoricamente um “Obrigada, eu não bebo”, aprendi a bebericar espumantes. Dez anos é muito tempo pra pretender que a vida permaneça inalterada e muito pouco pra alterar tudo que se gostaria.

Há dez anos me mudei para o Rio, que me acolheu com a calorosidade dos seus 40 graus. Cheguei aqui apaixonada pela cidade e pelo amor chiado e gingado que ela me oferecia. Se não me engano, minha primeira crônica para o Crônica do Dia falava do meu espanto pela cidade grande e pelo fascínio que ela causava no meu, até então, cotidiano provinciano. Uma década parece ser tempo o bastante pra extrair do amor um amigo e amar de novo — com outro sotaque. Dez anos é tempo suficiente pra aprender uma cidade ou se perder nela.

Nesses dez anos, minha filha se transformou numa mulher enquanto eu ainda aprendo, todo santo dia, a ser menina. Ganhei três enteados, um deles já é um homem, dois ainda serão, no máximo, em dez anos. Alguns sonhos ganharam asas tão grandes que se perderam no imenso azul das expectativas e estão a voar tão alto que, duvido, aterrissem um dia. Outros, fiz questão de construir pistas largas e de comprimento confortável para que chegassem ao seu destino, que nem sempre ou necessariamente era até a mim. E alguns poucos sonhos, ainda cultivo com cuidado, como quem se agarra ao fio frágil de uma pipa colorida, deixando que voe solta, apenas pra não dar chance ao desencantamento.

Há dez anos (ou mais?) conheci pessoalmente algumas das muitas amigas que me acompanham desde então, inclusive aqui neste espaço. Durante esses dez anos fui a Fortaleza conhecer Eduardo (e Julia também!) e o abracei com o carinho de amigos de infância. Fiz amigos novos e continuei cultivando amigos de décadas. E se perdi alguns afetos foi por conta da reciclagem nata da vida que aproxima ou afasta caminhos à nossa revelia, mas — como nada é por acaso — guarda o sentido dos desencontros em seu código secreto.

Nunca fui muito amiga da permanência nem das retrospectivas, mas posso afirmar que dentre as muitas mudanças a que me atrevi e que a vida promoveu nestes dez anos, poucas coisas se mantêm e mantenho com frescor e alegria: os amigos, escrever para o Crônica do Dia e exercitar a inconstância — esta última talvez seja a responsável pela sensação de estar sempre chegando atrasada. Vai ver é por isso mesmo que, em várias situações da vida, eu me adiante por medo de ser tomada por decisões tardias.

O que, definitivamente, não é o caso aqui e agora, vide meu atraso de quase um mês para a festa dos dez anos. Me desculpo e me conforto com uma boa dose de indulgência: afinal o que são alguns dias diante de uma década? E depois, sei que vocês hão de concordar comigo: festa boa é a que não tem hora pra acabar…

A propósito, ninguém vai abrir outra garrafa de champagne?

[Crônica comemorativa aos 10 anos do Crônica do Dia]

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O Amor Arde

O amor é um sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem ou de alguma coisa“. Esse é apenas um dos significados que encontrei quando procurei pela palavra, nos dicionários. Os verbetes são longos e também dizem que o amor é dedicação absoluta, devoção extrema, gratuidade, bondade, generosidade, compaixão. Eu gosto mais da definição de Camões que, por acaso, também é citada num dicionário: o amor é um fogo que arde sem se ver.

Sempre me questionei se o amor é mesmo tudo isso ou se, acrescentando mais um adjetivo: pretensioso, acredita piamente que é. Não duvido — quem me dera! –, que ele seja tudo o que se prega (ou se auto-determina) e mais um pouco. Eu apenas questiono a sua essência tão forte e inigualável como sândalo ao mesmo tempo que pode e sabe ser suave como lavanda. Sempre penso que amor, tal perfume, depende da pele onde se espalha e do temperamento de quem usa.

Poliglota, fala a língua dos loucos, dos anjos, dos sábios, dos ignorantes, ingênuos, crédulos e marginalizados. Usa códigos secretos, dos mais simples aos mais sofisticados, escondendo cuidadosamente suas senhas e traduções como jóias contrabandeadas. Quando não pode ou não sabe pedir, oferece a ironia, envergonhado demais para gritar por socorro. Paradoxal, grita palavras bem ditas e sussurra as desditas como um engasgo, sem piedade ou compaixão por si mesmo — tudo em sua defesa, pelo medo turvo e incontrolável da rejeição. E, como não mede o que doa, definha se não se recebe, devorado pelo próprio apetite, anoréxico de reciprocidade. Encimesmado pela idéia de que quanto mais se dá, mais forte fica, esquece que sem nutrição é canibal faminto de sua própria carne.

Espaçoso e sem limites, ocupa grandes cômodos numa só morada que consiga aconchegar sua grandiosidade. Se encontra uma casa que lhe abrigue com alegria, esparrama-se em generosidade, é devoto, seguidor de si mesmo e — ouso apostar –, quase narciso. Mesmo assim, sofre de desajeitamento e, sem perceber, perde o controle, esbarra nos móveis, quebra vidraças, estilhaça vasos antigos como um mamute tentando se movimentar dentro de um laboratório. Sua grandiosidade e delicadeza não impedem que estilhace experiências transformadoras em minúsculos cacos. Mas quando não encontra morada, porque nem sempre procura, é mendigo faminto e sem teto, pedinte de afeto e, vândalo, é capaz de destruir o mais belo canteiro de flores.

Maestro das grandes sinfonias e músico dos mais simples acordes e, por isso mesmo, mais belos, o amor também é caçador de borboletas, colecionador de cata-ventos, dançarino de coreografias intimistas e inventadas. Confeiteiro de delicados sonhos, alquimista de substâncias etéreas, escultor de obras surrealistas, malabarista por natureza e por dom. Circense engolidor de fogo, o amor arde. Arde quando nasce e cresce e arde quando suspira à própria sorte. É isso, tudo isso, o amor que os dicionários não traduzem, uma entidade que nasce, cresce e multiplica-se em si mesmo.

Os tolos, acreditando que ele é menor do que é, confundem-no com a paixão. Os que se acreditam mais razoáveis, não sabem muito bem a diferença. Mas, parece que somente os sensatos não o conhecem. Por isso, a conclusão que me toma é que de amar sabemos quase nada. Do que gostamos mesmo é de desejar o amor.

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Quase que não escrevo minha crônica desta semana por dois motivos: falta de assunto mesmo, no duro, e por uma série de problemas e probleminhas que me impediram de sentar aqui e começar a pensar escrevendo. Falta de assunto poderia ser mais um problema se eu não considerasse alguns problemas como contratempo — que é como costumo chamar a maioria dos meus problemas pra não deixar morrer a Pollyana que treinei por anos a fio.

Até porque o que não tem remédio remediado está, como diz o ditado. Problema é o que não falta na vida da gente, até mesmo quando é vendido como remédio, como se vê. E tem gente com todo tipo de problema e problema pra todo tipo de gente. Conheço quem adore um, trata feito animal de estimação ou planta rara que precisa ser hidratada e adubada todos os dias. Deus o livre se o problema morre, a pessoa padece de falta e alguns não conseguem nem disfarçar o luto, tamanha dor da perda. Também há aqueles que gostam de resolver problema, “Tem problema aí? Deixa comigo!” Há quem não goste, não reconheça e não resolva, “Problema? Onde? Enlouqueceu?”. Nesse perfil é muito comum encontrarmos quem negue o problema de tal modo que não consiga articular corretamente e chama de pOblema — o que não exime a criatura de ter que encarar mais esse problema, o de falar corretamente.

Não podemos esquecer daqueles cuja criatividade abundante arruma problema onde não tem ou, pelo menos, onde não precisaria ter. Esses, chamados visionários, quase mediúnicos, enxergam pêlo em ovo e chifre em cabeça de cavalo — confesso que eu, às vezes, só às vezes, padeço desse mal. Existe ainda aquele tipo que reconhece o problema, sabe quem pariu mas chama de pendência, pepino, obstáculo, contratempo. E é onde me enquadro. Exceto se for uma quase fatalidade, aos 42 minutos do segundo tempo, me recuso, me nego, não tem por onde dar munição e chamar bandido pelo nome. Sem essas intimidades. Nego tanto que só me permito em crônica.

Gosto de dizer, ingenuamente, é verdade, que problema bom é aquele que o dinheiro resolve, mas falta de dinheiro pode ser um grande problema, sem dúvida.Embora dinheiro seja matemática e até eu, que sempre me dei melhor com letras do que com números, concordo que problema bom é o que a matemática pura e (dita) exata propõe. Então, vamos ser honestos: problema bom é problema resolvido. O resto é fórmula de máscara.

Crônica escrita, missão cumprida, vou ali resolver uns contratempos. E você, preste atenção: o dia está bonito, a temperatura está subindo, é quase primavera… Não fica aí na frente desse computador arrumando problema.

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Acordei ouvindo uma tosse discreta e assim que abri os olhos, lá estava ela, sentada na rede me olhando inquisidoramente. Demorei alguns minutos para reconhecê-la, fazia tempo que não a via.

— Vim saber de você, embora tenha me abandonado há tanto tempo…

Quis ruborizar pela vergonha por ter, de fato, esquecido como ela era bonita, embora estivesse me parecendo meio esverdeada. Deve ser a sombra do quarto, pensei. Observei melhor: ela parecia ser de porcelana, os cabelos eram muito longos, o olhar meio suplicante, mas estava tranqüila.

— Uma visita, assim, sem aviso?
— Pois é, você sabe, embora estejamos um tanto distantes, eu ainda sinto quando você precisa de mim. Devo ficar?
— Claro, eu não estou sabendo como agir, acho que fiquei desconcertada, mas por favor, fique. É uma boa hora para tomarmos um café sem que ninguém peça por mim.
— Eu vou no seu lugar se chamarem.
Hesitei:
— Melhor não… as pessoas podem não entender…
— É isso, essa sua mania de se preocupar com o que os outros podem pensar é que está acabando com você. É tão difícil assim, perder essa pose empoada de “tudo está sob controle” ?
— Não tenho jeito, você sabe…
— Seu autocontrole vai acabar te acabando
— Eu ando sentindo isso, escrevi até um poemeto chamado “coragem”…
— Eu li…

Ela ficou esperando que eu falasse alguma coisa e foi então que pude observar seu tom esverdeado: na verdade ela estava mofada!!
— Fui eu quem fez isso?
— Você não fez muita coisa, só parou de me chamar e o tempo se encarregou do resto. Você parecia sempre tão auto-suficiente. Eu fiquei esperando e achei que você me convidaria para entrar em cena a qualquer momento. Passaram as fases de febre da filha, depois vieram os tempos difíceis do trabalho novo, mais tarde vi que você estava em maus lençóis para tentar a vida sozinha, e aí achei que você ia me chamar… Mas você é difícil, acha que fragilidade é fraqueza, pensa que não chorar é coragem… você, às vezes, é patética…

Ela sorriu. Tentei sorrir de volta:
— Desculpe, minha intenção nunca foi essa, você sabe. É que se deixo você assumir as coisas, elas me escapam e eu desabo…
— Eu sei. Foi só mais tarde que você me chamou, mas você estava apaixonada, nem notou que eu também estava lá…
— Acho que sei, acho que lembro…
— E depois quando a vida entrou na roda viva dos dias, você me esqueceu de novo. Voltei agora. Se você nos permitir…
— Não sei se é de você que eu preciso… Quero alguém que me pegue pela mão e me faça apostar sem receio, uma pessoa só (uminha!) bastaria que me dissesse: eu seguro a minha onda, fica tranquila, cuida de você…
— Utopia, você sabe. Deixa que eu assumo, mesmo que se assustem, mesmo que não entendam. Preciso sair desse mofo, também sou você. Encarcerada, mas ainda assim, você.
— Não sei…
— Mas o que pode dar errado que já não esteja o caos? Deixa que eu assumo, você descansa e cada um que se vire com suas alternativas…

Eu queria dizer não, mas a palavra não saiu. Eu acho que estava cansada demais. E depois, ela era um pedaço de mim, minha Cinderela e ainda que mofada, parecia ter direito ao que me pedia. Não era mesmo uma má idéia…
Fechei os olhos, virei para o lado e pedi num sussurro:
— Me chama às dez.

Ela estava quase fora do quarto quando me sentei na cama:
— Pensando bem, só me chama quando tudo estiver mais calmo…
Ela assentiu com a cabeça e saiu, me deixando oca, sonolenta e muito leve naquela cama king size.

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