Hoje não tenho nada a dizer. Pensei até em cabular meu dia de crônica, mas ando determinada a deixar de ser enrolada, ando determinada a empurrar um pouco menos, que seja, as coisas com a barriga e fazer o que deve ser feito.
Estou aqui, movida pelo sentimento de culpa por todas as coisas que já deixei prá trás ou que já perdi pela vida afora, acreditando que sempre há uma des-culpa genuína para tudo que a gente deixa prá depois. E depois, eu nunca fui muito boa no quesito prioridades. Eu me confundo e confundo prazer com trabalho, obrigação com lazer, seriedade com serenidade. Já comprei roupa com vale refeição, torrei casa com milhas, fiz festa em dia de enterro e até hoje troco a noite pelo dia.
Eu me confundo mas também nem tanto. Ando cheia de falar sobre pós guerra, pré guerras, (in)segurança pública e toda essa ratoeira que insiste em nos roubar as prioridades. A vida deve ser mais, muito mais que isso, não tentem me enganar. Eu posso ser confusa mas não sou tonta. A vida continua sendo criança e não só os maus tratos da terceira idade. A vida continua sendo saúde e não só pneumonia asiática. Ainda é saborosa mesmo que se zere a fome e mesmo que nem toda bala seja doce.
Não tentem me enganar. Minha prioridade agora está mais prá dissertar sobre o sexo das minhocas*, mesmo que apenas 23% delas goze a vida como a vida humana acha que se goza. Mesmo que seja um gozoradio, pelo menos é um gozoativo.
*Tragédia de Chernobyl mudou vida sexual das minhocas [fonte: AFP]
A catástrofe nuclear de Chernoyl mudou a vida de algumas espécies de minhocas, que trocaram a reprodução assexuada por relações sexuais. A conclusão é de um estudo ucraniano divulgado nesta quarta-feira. Segundo os resultados do estudo, 23% das minhocas que receberam fortes doses de radiação começaram a se reproduzir por via sexual, quando o habitual é somente 5% – como acontece nas áreas distantes do local da catástrofe. (…)




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