com este post!
*sorrisão emocionado*
Segunda – feira. Detesto.
Como confiar num dia que tem segunda no nome mas, na verdade (invejoso!) quer ser o primeiro? O primeiro (que se diz) útil, o primeiro de muitos de trabalho. Dia de Lua, sem a primazia dos prazeres, das requentadas sobras do domingo, não é hora nem dia da primeira feira, é xêpa. É o Dia Mundial da Dieta — e só por isso já não teria graça nenhuma. [Para ler mais clique aqui]
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Porque eu sei que uma mudança virá…
Oh, sim, ela virá
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Cadê os moinhos de vento? A adrenalina esticando a corda bamba? Cadê o melhor ângulo, o perfil suave, onde andará aquela fotogenia? E o pé no chinelo torto à espera de manhãs cafeinadas? Cadê a carta aconchegada na manga? E o coelho cochilando na cartola? Cadê a cartola?
Daqui, não vejo. Só esse mormaço sem cor paralisando a iniciativa do vento, empurrando ao limbo a esteira dos recomeços. Daqui, apenas se vê a bailarina surda guiada pelos pés de algum anjo com as asas quebradas. Só os dias arrastando horas obesas que seguem, impassíveis, devorando desejos. E a nitidez da inércia capturando a linha do horizonte, onde a terra limita o céu.
Daqui, só este arremedo de texto, cabra cega, sem pé nem cabeça, tentando se escrever pelos vãos de um óculos quebrado sob estímulos sem grau. A mesma tecla e a mesma reza enquanto ainda me pergunto onde foi parar a mãe de santo que me despachava?
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Já tem um bom tempo que uma amiga me pede para escrever uma defesa, um manifesto que seja, reivindicando um programa de “Cota para Loiras”. O que começou em tom de brincadeira quase virou coisa séria depois do pronunciamento do presidente da República, quando atribuiu a “culpa” da crise marolinha aos loiros de olhos azuis.
Pois, de tanto minha amiga loira (natural) insistir, resolvi transformar esse tema, mais pra letra de pagode do que pra manifesto social, nessa crônica aqui.
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hoje é dia!
O Borogodó das Gordinhas
Fui buscar uma paleta de homens variados para dar mais consistência à minha pseudo teoria, “entrevistando” 14 rapazes de diferentes faixas etárias e estados civis. A pergunta bedelhuda e sem rodeios “você namorou/casou ou namoraria/casaria com uma mulher gordinha?”, rendeu 14 vezes sim, sem pestanejar. Nenhum dos “entrevistados” deixou de participar, parou pra pensar ou mesmo vacilou antes de responder. E todos, sem exceção, já namoraram ou casaram com mulheres gordinhas. Leia mais
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Como eu ou você, centenas: de perguntas e respostas ensaiadas pra impressionar. Precisando de todos os sins, retendo o futuro até o presente esfacelar. Como eu ou você, buscando garantias, atestados verbais, promessas em sangue, pactos irrevogáveis, centenas. De olho no seguro, de vida, saúde, pecúlio e aposentadoria precoce. Pagando apólices contra incêndios, vendavais, desastres naturais. Tudo carimbado e protocolado em cartórios emocionais, agarrado ao fio do bigode, amarrado ao juro por Deus, densonrando a palavra de honra que só privilegia os medos, justo o que não é preciso assinar. Centenas de tolos, como você ou eu, presos na seta do cupido pensando que a firmeza está no pulso e é aí mesmo que vai contra a correnteza. Rezando que tudo seja pra sempre e que não exista nada que se atreva a vacilar. Dormir embalando certezas, acordar desdenhando desafios. Represar a vida. Estagnar. Canja de galinha e dinheiro no bolso só se ocupa com quem não tem àgua na boca. Quem se arrisca, te belisca. Mais vale um pássaro na mão e ninguém voa. Centenas. Pena.
[escrito em algum dia nublado de 2006]
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Alguns finais cinematográficos me frustram. Com tantos recursos tecnológicos ninguém ainda teve a brilhante ideia dos filmes inacabados. Não exatamente como Corra, Lola Corra, mas uma opção clicável no DVD. Pretendo defender essa tese se um dia alguém me der ouvidos. As vantagens seriam inúmeras. A começar que ninguém mais precisaria se preocupar em contar ou não, o final do filme.
As conversas, por exemplo, seriam mais interessantes:
– que final você escolheu?
– o que eles ficam separados, e você?
– mas este é o pior final que tinha; eu escolhi o que ele vai embora mas deixa claro que volta.
– mas aí não tem graça, ou ele vai ou racha…
– mas ele iria cobrar dela o resto da vida se não fosse…
– iria cobrar do mesmo modo, se ficasse…
E a discussão estaria engatilhada para render horas a fio.
As locadoras também lucrariam com isso, sem falar no seu estado de espírito. Hoje, você está para que Romeu e Julieta morram – quem acredita na utopia do amor? Semana que vem, passarinhos verdes pousam na sua janela, o escorpião é delatado e não temos mortos ou feridos. Mais alguns dias e, quem sabe, só aquele Romeu (chatinho!) morre e dá até para enxertar outro galã fazendo final – ou o começo – feliz com a Julieta. Ou…
A ideia dos filmes inacabados realmente me encanta.
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bem assim
Ainda bem que é assim, uma puxada de tapete aqui, um abrir de olho acolá, com a maior cara de cachorro que caiu do caminhão da mudança e, de repente, sem mais aquelas, os sorrisos brotam de outros cantos, onde você nem adubando estava. Ainda bem que tem um pedaço da família que é chocolate de páscoa fazendo o contraponto daquela outra fatia que é amarga de engolir. Ainda bem que tem abraço apertado, beijo demorado, saudade matada, vontades acesas mantendo aquecida a boa e velha paixão pra viver. E que o melhor das minhas insônias, minha vingança mais doce, é sonhar acordada, ainda bem. Ainda bem que dos mundos que conheço, tem muitos outros que posso vir a escolher pra viver. Ainda bem que das minhas entregas todas, a única que não acontece com total abandono, a única em que não me deixo levar sem resistência, é a irreversível entrega dos pontos.
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Tem um tempo que já não danço
- ensaio conforme a música
Não lembro de ter ficado de porre
- mas já embriaguei de encantos
Nunca fiz uma arruaça
- exceto trancada no quarto
E adoro todos os surtos
- mesmo os lúcidos
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[pra comemorar o Ano Novo astrológico, que inicia hoje]
Ao contrário de mim, que adoro fazer um contato (que não seja de 3º grau) a minha lua dá um certo trabalho porque mora no sótão, completamente isolada.
Para chegar até ela tenho que enfrentar uma escadaria de degraus altos e estreitos, e mesmo assim, corro o risco de encontrá-la nem aí para minha vontade de botar os bichos pra fora.
É muito bonitinha essa minha lua, mas é quase ordinária. Chorar não é quando eu quero mas quando ela está distraída. E experimenta distrair uma lua presa (ou liberta) num sótão. Tenta que eu pago! Rir de mim? Recomendável. Mas se quero debochar do seu falso despojamento, que finge que não vê minha vontade de melancoliar, ela me arruma uma saída rápida ou um trabalho urgente. E com bom humor, por favor, estou reclamando do quê?
Tem dias que essa lua provoca minha bronquite me fazendo rir do que não tem graça nenhuma e fica profundamente irritada se lhe chamo atenção. Afinal, o que pretendo eu com tantos questionamentos existenciais? Rapidamente, ela varre a poeira pra debaixo do tapete e, não satisfeita, me faz dançar em cima. Já subi naquele sótão, ameacei faxina pesada, mas ela não se intimida. Já tentei levar um papo marisa, mas ela me olha com indulgência.
Minha lua quer emoções, ela tem pressa, muita coisa lhe interessa, mas eu que me vire pra pagar a conta, incluindo a do cartão de crédito. Ela se atira do 18º andar, sem piscar e sem pára quedas e antes de chegarmos lá embaixo, ela suspende. Eu estatelo.
Para falar a verdade isso nem é o pior, porque se tem uma coisa certa nessa vida é que a gente se acostuma com tudo, até com uma lua insensível dessas, sem aspecto, em Sagitário.
O pior de tudo mesmo é quando eu tentei fazer greve e ela revidou de passeio ecológico.
Pôxa, minha filha, se não sabe brincar, não brinca né!?
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Precisa-se: de uma mercearia oriental, uma receita saborosa, um bom cardiologista, uma sandália sem salto, uma lufada de ar puro, um beijo sem remetente, um desejo com destinatário, um livro que me envolva – outro que me absolva -, meia tonelada de ânimo, o desfecho de um dilema, o ponto final de um poema, uma palavra que comece outro e
uma saída pela direita.
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Há uma avessa em mim
que te ama pelo que é direito
e a que vive de verso,
que te ama de viés
Assim e por isso,
você vive em ambas
que em mim te amam
metendo as mãos pelos pés
.
[João Bosco, meu bem, me diz como é que eu faço pra dormir?]
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Hora da palavra
Quando não se diz nada
Fora da palavra
[A Terceira Margem do Rio - Caetano Veloso]
Nasci entre primavera e verão bem ao sul do hemisfério sul. Talvez por isso goste do inverno, desde que não seja longo, desde que não seja muito escuro. Desde que não tenha quedas bruscas de temperatura. Comigo, tudo de bom e de chato acontece o tempo todo, eu só tenho a tendência a prestar mais atenção no que é bom. Esse otimismo ainda me ataca pelas costas. Se eu ficasse de costas.
Nos dias menos quentes — enquanto a vida trata de se realinhar –, puxo até o queixo, como quem se aninha em manta de lã, algumas palavras escritas, muitas ditas e as mal ditas por atrapalho ou falta de jeito. A vida que entrega o riso de graça também sofre de desajeitamento.
E silêncios. Há silêncios que falam, outros se encolhem ainda mais na clausura da timidez, acuados da cara à tapa. Silêncios medrosos de trincar encantamentos.
Mas, quem nasce entre primavera e verão bem ao sul do hemisfério sul e ainda assim gosta de inverno, entende que silêncios são palavras encolhidas.
Alguns risos também.
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A vida generosa está inquietamente fornecendo adrenalina suficiente pra pagar e vender. Procuro respeitar horas marcadas, escuto música muito alto, me concentro no restrito e necessário, abstraio mais do que posso, durmo menos do que devo e, um velho monge que me habita sorri com olhos muito límpidos, quase transparentes, como quem diz, como você é tonta, tola, tonta.
Às vezes ele recita Fernando Pessoa: segue o teu destino/rega as tuas plantas/ama as tuas rosas/o resto é a sombra/de árvores alheias/(…) a resposta está além dos deuses. Rego minhas pimenteiras, substituo as rosas por cd’s alheios e no alheio não meto o nariz. Vou tentando, adaptando as dicas com o que eu sinto que tenho, como quem prepara uma receita com os ingredientes que dispõe a geladeira. Só não consegui ainda que esse monge seja mais claro a respeito das respostas. Ele ataca de Caetano, aquela coisa meio non sense, que jaz num sax. Às vezes, manda até um Zingg: Ataque a vida/ela vai matar você de qualquer jeito.
Não sei direito como interpretar um monge que recita pessoa(s) tipo biscoito chinês mas, quando esses caras estão zen pressa, fora de hora e lugar devem ser assim mesmo, irônicos, quase sádicos.
Sua tonta.
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Falar não é verbalizar palavra. Falar é exercício de alma. Cordas vocais só lhe emprestam instrumento, sempre acreditei. Primeiro, é preciso depurar o sentimento, bem antes que ele se torne vocábulo, sob pena de engasgar um discurso vazio e menosprezar o ouvinte — se for um bom ouvinte. Pois, se falar é exercício de alma, ouvir é qualidade de quem sua alma também sente e escuta, antes que ela destile sílabas quebradas, frases sem música, dançarinas sem compasso.
Falar, com a voz da alma é embalar os sonhos, entregar o coração embrulhado em espanto sem temer nem esperar pela hora do sobressalto. Falar por falar, sem escutar a alma, é falsa sensação de preencher vazios, soltar os demônios, é abandonar os anjos ao constrangimento. Falar assim é quebrar os ovos, por um prazer vândalo e insano. Mas, ouvir… Ah, ouvir é uma degustação, doce ou amarga, palatável ou intragável, com a opção de retornar, mesmo que a vácuo, a tal da omelete ou um pudim às claras.
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Perseguir a (nossa) Fontana di Trevi — não exatamente a de Fellini mas, a de Carnevale, Elsa e Fred (recomendo!). Ou buscar aquela carta na manga, o plano C, secreto e intransferível, que provoca o sorriso de Mona Lisa — mas, que em você fica igual a cara do gato que engoliu o passarinho. A gente pode ser/fazer tudo que resolver, ouvi isso hoje. Ahá, eis o detalhe, resolver. Revolver soou melhor quando tentei soletrar. A gente muda ou apenas se recicla? Que desafio é capaz de temperar ou fatigar a vida?
Afinal — e entendi isso não sem uma pontinha de frustração –, alforriar os próprios demônios não garante a permanência dos anjos.
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Minhas unhas quebram com muita facilidade. Foi assim com as unhas da mão direita, pelo menos esta semana. E, estranhamente, teimo em manter as unhas da mão esquerda, as que não quebraram, sem cortar. Mas cortei o cabelo em grandes mechas, “para dar um ar mais despretensioso” como disse a cabelereira, seja lá o que ela pretendia me dizer com isso. Gostei. Tanto, que usei batom cor de boca todos os dias da semana e continuo mantendo as unhas compridas, como garras, pelo menos as da mão esquerda. E pintei os olhos todos os dias também, muito pretos. Meus cabelos são quebradiços como unhas mas, nesta semana, parecem resistentes como garras. Porém, as garras da direita se foram e à esquerda tudo se mantém sem esforço. E não me venha falar em política, Sansão. Esta semana sou toda emoção. Batom e lápis. Garras e fios. Nas horas vagas eu sonho. Nas ocupadas eu durmo. Alienada, encarcerada e desarmada. Tranças, se eu tivesse.
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Se metáfora é arma
que seja quente
Se for para beber
que seja efervescente
Para sentir no céu da boca
feito aguardente
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